Porquê a demora na reposição da rede elétrica? 5 perguntas e respostas para entender melhor o problema

5 perguntas e respostas para entender melhor o problema.

Imagem: Porquê a demora na reposição da rede elétrica? 5 perguntas e respostas para entender melhor o problema

O meu vizinho já tem eletricidade e eu não. Porquê?

A depressão Kristin na noite de 28 de janeiro deixou toda a população da União de Freguesias de Santa Catarina da Serra e Chainça num apagão total, em que para além de supressão de telecomunicações e água, também a eletricidade foi severamente afetada, e embora várias localidades tenham visto a energia ser reposta gradualmente, ao 11º dia desta tempestade permaneciam ainda cerca de 20 mil contadores em todo o concelho privados deste serviço essencial.

Desde o primeiro dia, o Município, em articulação com a E-REDES (a principal empresa operadora de redes de distribuição de energia elétrica em Portugal continental - antiga EDP Distribuição – responsável pelo transporte de eletricidade até aos consumidores finais, gestão de contadores, leituras e manutenção técnica) procurou soluções que visassem a reposição de eletricidade quer através de geradores instalados nos pontos centrais de cada freguesia, e em algumas localidades. A definição das localidades nas quais foram instaladas subestações móveis foi da total responsabilidade da E-REDES, não cabendo à Junta de Freguesia ou ao Município a decisão das localizações destes equipamentos.


Como funciona a eletricidade, de onde vem e qual o caminho até chegar às nossas casas?

O percurso da eletricidade, desde a produção até às tomadas onde são ligados os nossos eletrodomésticos, envolve um sistema complexo de geração, transmissão e distribuição, utilizando diferentes níveis de tensão. Desde o momento em que a eletricidade é gerada nas usinas (hidroelétricas, solares, eólicas, termoelétricas, entre outras), a eletricidade passa por transformadores que elevam a tensão para níveis muito altos, na rede de “alta tensão”.

Com esta tempestade de ventos superiores a 140 km/h, "num espaço de três ou quatro horas caíram-nos mais de 60 torres [de alta tensão], algumas com 70 e 80 metros de altura, ficando 650 quilómetros de linhas inoperacionais", afirmou Rodrigo Costa - presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais), entidade responsável pelo transporte de eletricidade em muito alta tensão.

Já próximo às cidades e centros de consumo, a energia chega assim a subestações (PT ou Postos de Transformação) que reduzem a tensão de Alta para Média Tensão, e foi nestes postes com caixas acopladas que encontramos em várias localidades da nossa freguesia, que foram instalados alguns geradores que alimentaram a rede elétrica por alguns dias num raio de alguns quilómetros à volta de cada gerador.

Estes postes de média tensão são responsáveis pela transformação da rede para Baixa Tensão (BT), depois transportada pelos vários postes que vemos pelas ruas da freguesia, e para cada contador instalado nas habitações.

Ao longo dos muitos quilómetros de estradas principais e ruas secundárias, encontram-se agora, em consequência desta tempestade, muitos postes partidos a meio, derrubados ao chão, ou com cabos caídos que atravessam sobre margens das estradas, desconectados dos seus pontos de ligação e que impedem, a partir dessas ligações interrompidas, que a energia siga o seu fluxo normal de alimentação elétricas às casas servidas por esses cabos.


A evolução dos trabalhos de reposição energética na nossa freguesia

Conhecida a ordem de estruturação das linhas energéticas, desde a alta para média tensão e de média para baixa tensão, é compreensível que as execuções dos trabalhos de reparação tenham de seguir esse fluxo, sendo escusadas as operações levantar dos postes derrubados com a queda de árvores pela freguesia fora sem que primeiro as linhas antecessores fossem reparadas.

Segundo Sandra Rodrigues, habitante da nossa freguesia e membro do executivo da União de Freguesias de Santa Catarina da Serra e Chainça, que é também responsável da empresa MONDEJO, entidade que presta serviços para a E-REDES, existem duas fontes de energia de alta tensão que servem a nossa freguesia. A sul da freguesia (Loureira) e até ao centro de Santa Catarina da Serra, nas ruas principais e algumas adjacentes, a energia fornecida por uma linha de alta tensão derivada do PT de Alta Tensão localizado em Fátima terá sofrido danos mais ligeiros permitindo reparações mais rápidas que trouxeram energia a esta zona ao fim do 7º dia de escuridão. Ainda assim, logo na primeira noite após esta reposição, foi visível a fraca estabilidade energética, que acabou por resultar num pequeno incêndio num poste de média tensão localizado na principal rua da Loureira, causando uma nova quebra de energia por algumas horas nesta região, e que se estendeu por alguns dias para os moradores de ruas junto a esse PT.

Já na restante freguesia, a linha de alta tensão habitual derivava de outra região, com danos mais significativos e que impedia a reposição da energia, e que teria previsão de resolução de algumas semanas. Após um grande esforço das empresas prestadoras de serviços da E-REDES, e uma visão de “luz ao fundo do túnel” proposta pela empresa MONDEJO, foi feita uma análise à arquitetura da rede que permitiu uma manobra arriscada através do desvio da energia por percursos alternativos e que, com sucesso conseguiu assegurar na noite de sábado (7 de fevereiro) o fornecimento às subestações da E-REDES nas restantes localidades da freguesia que estavam até então às escuras.


Seria prioridade iluminar o adro da igreja paroquial ou o campo de futebol da UDS?

No grupo de Facebook “Amigos de Santa Catarina da Serra”, muitos cidadãos demonstraram ao longo destes dias o descontentamento generalizado pela falta de eletricidade, indignados com o facto de existirem luzes “a gastar energia” desnecessariamente em locais públicos, como o caso do adro da Igreja Paroquial ou do Campo de Futebol da UDS, fazendo com que não chegasse a mais residências no raio de ação da localização dos geradores. Importa clarificar que, num posto de transformação de média tensão onde foi colocado cada um dos geradores que a E-REDES alocou na nossa freguesia, não é possível a curto prazo, delinear quais os locais ou contadores que obterão eletricidade a partir daquela fonte de energia, sendo que o recurso de energia elétrica fornecido por esse meio chegaria ao ponto mais longe possível de acordo com a capacidade que detém, acabando por fornecer todos os contadores de eletricidade nesse percurso possível.

A localização dos geradores também foi um tema que terá questionado os habitantes da freguesia dos critérios que terão definido as zonas que seriam servidas por estes meios. Ainda que não exista uma resposta pública por parte da E-REDES que defina quais os critérios definidos, o executivo da Junta de Freguesia acredita que terá sido prioridade da E-REDES servir os postes de média tensão junto dos serviços públicos prioritários, como o caso de lares, centros de dia, escolas e creches (Loureira e Santa Catarina da Serra), tendo sido atribuídos outros geradores disponibilizados para outras localidades de forma a servir, dentro do possível, o máximo de localidades da freguesia de forma dispersa.


O meu vizinho já tem eletricidade e eu não. Porquê?

Numa carta aberta dirigida à E-REDES, a Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia do concelho denunciaram a permanência de mais de 20 mil contadores sem fornecimento de energia elétrica, numa contabilização feita na sexta-feira, 06 de fevereiro. Destes milhares de habitações, muitas delas são localizadas na nossa freguesia, e estima-se que tal situação se deve à elevada quantidade de postes de baixa tensão que se encontram a aguardar intervenção por parte da E-REDES, sem que seja dada uma previsão do número de dias restantes até que os problemas sejam resolvidos.

Muitos cidadãos têm questionado qual o motivo pelo qual não são colocados geradores nas regiões ainda afetadas por este apagão, ou porque é que os geradores já retirados dos centros das localidades onde já foi reposta a eletricidade da rede pública não são então mobilizados, mas segundo o que foi possível apurar a situação de existirem ruas sem serviço de eletricidade prende-se exclusivamente com o facto de existirem postes de baixa tensão com danos, fazendo com que a energia não possa ser reposta com gerador uma vez que as linhas que deveriam ligar energia a cada uma das habitações se encontrarem interrompidas.

Em conferência realizada no dia 1 de fevereiro, o Presidente da E-Redes, José Ferrari Careto disse não conseguir, «neste momento ter previsibilidade sobre a data em que toda a gente vai ter energia [elétrica] no perímetro desta intempérie». Frisando ser a «resposta mais séria e a resposta mais honesta» que tem para dar admitiu, contudo, que existe «elevada probabilidade» de poder ser uma operação que venha a demorar até ao final do mês de fevereiro para concluir a reposição do serviço para a totalidade dos clientes.